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Como Evitar Lesões de Coluna na Indústria

Apresentado por

Richard W. Bunch, Ph.D., P.T.

Presidente do ISR Institute Inc. e Professor Adjunto Clínico no

Centro Médico da L.S.U.

 Dados do Apresentador

Dr. Richard Bunch é o fundador e Presidente do Industrial Safety and Rehabilitation Institute, Inc. (Instituto de Segurança Industrial e Reabilitação) uma entidade privada voltada para o tratamento ativo da saúde.  Dr. Bunch realizou o treinamento universitário não-graduado na Academia Militar de West Point.  Após a conclusão de seu curso em West Point, graduou-se em Fisioterapia no Centro Médico da Universidade de Los Angeles (LSU) em 1977 e prosseguiu com seus estudos até doutorar-se com honras em Anatomia pela Faculdade de Medicina dessa mesma universidade em 1983.  Dr. Bunch prosseguiu com sua prática clínica durante o período em que fazia o seu pós-graduado, especializando-se na prevenção, avaliação e tratamento de distúrbios da coluna e problemas músculo-esqueléticos correspondentes nos últimos 16 anos. Atualmente,

Dr. Bunch é membro da American Society of Safety Engineers (ASSE) e de várias organizações de segurança de âmbito estadual. Ele faz parte do Conselho Diretor do Metropolitan Safety Council e é Presidente do Ergonomics-ADA Compliance Committee. Como autor, publicou e apresentou numerosos estudos em várias convenções nacionais sobre ergonomia e prevenção contra lesões à coluna, avaliação e tratamento.  Durante os mais de oito anos que trabalhou para a Faculdade do Centro Médico da Universidade de Los Angeles, Dr. Bunch desenvolveu e dirigiu a Industrial Safety and Rehabilitation Division (Divisão de Segurança Industrial e Reabilitação).  

Presentemente, ele mantém um vínculo com a Universidade de Los Angeles através do Centro Médico e de sua atividade como Professor-Adjunto de Clínica no Departamento de Fisioterapia dessa universidade. Dr. Bunch desenvolveu os programas  “Retorno à Boa Forma Física“  e “Prevenção Contra Lesões de Coluna”  para auxiliar o trabalhador a evitar problemas incapacitantes de coluna e a melhorar a sua qualidade de vida  através de um condicionamento físico mais adequado. Este programa dinâmico já pode ser comprovado por milhares de trabalhadores em todo o país.

Fatos sobre a Coluna Vertebral:

A grande maioria dos problemas de coluna não são o resultado de um evento ou causa isolada!  As lesões de coluna geralmente advêm de vários fatores relacionados com a nossa condição física, estilo de vida, e método de trabalho.

Cerca de 8 em 10 pessoas experimentam dores sérias e incapacitantes nas costas pelo menos uma vez na vida. Aos 50 anos, aproximadamente 90% da população já apresenta uma deterioração significativa na coluna lombar!

Os problemas de coluna representam um enorme fardo para a economia dos Estados Unidos, custando às indústrias mais de 60 bilhões de dólares por ano em despesas médicas e afastamento do trabalho!

A cirurgia de coluna não melhora o problema de coluna do paciente.  De fato, muitos especialistas são da opinião que as cirurgias de coluna que fracassam sejam uma das principais causas de dor aguda grave e incapacitante das costas.  Quase todo cirurgião competente admitirá que apenas se deve recorrer à cirurgia de coluna em último caso!

O declínio da boa condição física pode ser relacionado à maioria dos problemas de saúde de hoje em dia. É hora de mudarmos e de cuidarmos do nosso tesouro mais precioso: nossa saúde!

As técnicas apresentadas neste programa de treinamento de fato evitarão a ocorrência de problemas de coluna e melhorarão seu estado de saúde se você se dispuser a usá-las!

 Os Principais Pontos na Prevenção de Lesões de Coluna:

Consciência do Fato

  1. Projeto Ergonômico Adequado do Local de Trabalho
  2. Posicionamento Neutro da Coluna
  3. Corrigir Posturas Desajeitadas que Possam Forçar a Coluna (O Princípio McKenzie)
  4. Estabilização Lombar (A Abordagem ao Modelo Esportivo) Durante o Levantamento e o Manuseio de Materiais
  5. Exercícios, Alimentação Adequada e Administração do Estresse

 Aplicação desses Pontos Principais – Como Trabalhar Inteligentemente!

  1. Consciência do Fato

Muitos trabalhadores concentram-se tanto no que estão fazendo, ao trabalhar ou executar outras atividades do dia-a-dia que, negligenciam totalmente os seus próprios corpos.  Ao tomar consciência dos efeitos malignos da postura incorreta e da mecânica do corpo em relação à coluna, o trabalhador pode evitar o estresse através de técnicas de posicionamento adequado e de correção de posturas desajeitadas:

  1. Projeto Ergonômico Adequado do Local de Trabalho

A ergonomia é o estudo científico do indivíduo e de seu meio-ambiente.  A análise ergonômica do local de trabalho geralmente é realizada com o objetivo de modificar o ambiente, equipamento e/ou instrumentos para aprimorar as condições de segurança e/ou eficiência no desempenho do trabalho.

  1. Técnicas de Posicionamento da Coluna
  1. Jamais trabalhe com a coluna arqueada ou estando a parte superior do corpo sem apoio (por exemplo, curvado a partir da cintura)!
  2. Ao executar algum trabalho em pontos mais baixos, ajoelhe-se ou agache-se para manter a coluna em uma posição neutra. (Nota: A coluna vertebral é constituída de 24 ossos denominados de vértebras e forma uma curva em forma de “S” quando vista de lado. A curva da coluna lombar para dentro representa a posição NEUTRA, uma posição de resistência máxima, que depende da força dos músculos dorsais e abdominais!).
  1. Ao trabalhar, posicione os objetos na altura da cintura. Assim evitará a tentação de dobrar o corpo na cintura.
  1. Técnicas de Correção de Postura
  1. Lembre-se evite flexionar a espinha! O flexionamento da coluna lombar aumenta a pressão dos discos e força o fluído interno da coluna contra a parede posterior e mais fina dos discos.  Isto é o que ocorre quando estamos sentados!
  2. Corrija o aumento da pressão contra os discos realizando exercícios de alongamento dorsal periodicamente.  Desse modo, o fluído interno da coluna (núcleo) será movimentado para frente, contra a parede dianteira e mais espessa do disco, melhorando o intercâmbio de fluído e sua nutrição!
  3. Sempre que possível, alivie a pressão sobre os discos transferindo o peso da parte superior de seu corpo para o(s) seu(s) braço(s) ou apoiando a mesma sobre um suporte enquanto usa as mãos.
  4. Sempre evite permanecer sentado por muito tempo. Use almofadas de apoio lombar para manter a coluna lombar em sua curva natural para dentro.  E, o mais importante, movimente sempre a área lombar para alimentar os discos da coluna.
  1. Estabilização Lombar Durante o Levantamento e o Manuseio de Materiais:

O levantamento de peso e as atividades correlatas, como empurrar e puxar submetem a coluna a tensões enormes.  Evite lesar a coluna, usando técnicas de atletas, inclusive de halterofilistas profissionais.  Contudo, existe uma regra de ouro que antecede qualquer técnica de levantamento:

Lembre-se da regra dourada: Ao Levantar Pesos, Sempre Peça Ajuda!

Técnica de Estabilização Lombar:

 

  1. Mantenha sempre o objeto que está sendo levantado o mais próximo possível do corpo. Isso contribuirá para reduzir a pressão sobre os discos.
  2. O restante das técnicas pode ser facilmente utilizado, se você as associar à palavra:

  “D.P.M.L.T.[1]

D    –      Dobre a parte inferior da coluna para dentro ou mantenha a posição lombar neutra.

P     –      Pernas – use as pernas para fazer o levantamento – não a sua coluna!

M    –      Músculos abdominais – enrijeça-os. Isso protegerá a coluna lombar contra o excesso de compressão.

L     –      Levante o peso vagarosamente – jamais faça movimentos bruscos!  O movimento brusco aumenta dramaticamente a pressão sobre os discos, podendo provocar a sua ruptura!

T     –      Torção durante o levantamento – Evite qualquer torção durante o levantamento de peso, o que poderá facilmente provocar maior desgaste ao disco, distensão de juntas e ruptura de ligamentos!

N.T.: O acróstico original em inglês é “B.L.A.S.T.”

 

  1. Exercícios

Todos os tipos de exercício devem ser iniciados com a devida cautela.  Sempre consulte seu médico antes de ingressar em um novo programa de ginástica.   Lembre-se de fazer um aquecimento por 5 – 10 minutos antes de começar qualquer exercício e de permitir a seu corpo de 5 – 10 minutos para esfriar.  Aprenda a observar suas pulsações cardíacas.  Os batimentos de seu coração jamais devem superar a marca determinada através do seguinte cálculo: 220 pulsações por minuto menos o valor de sua idade atual. Este valor representará o valor máximo de segurança para a sua taxa de pulsações cardíacas, sem levar em conta problemas cardíacos ou outras doenças correlatas. (por exemplo, para um indivíduo de 40 anos de idade, a taxa máxima de batimentos cardíacos por minuto não deve ultrapassar a 180, isto é, 220 – 40).  Muitos preparadores físicos e especialistas em fisioterapia recomendam aumentar a taxa de batimentos cardíacos até um nível situado entre 60 – 80% da taxa máxima de segurança acima

Exercícios Recomendados para o Fortalecimento dos Músculos

Tensores elásticos

Resistência hidráulica, isocinética

Levantamento de halteres (evite o levantamento com a coluna dobrada ou não estabilizada)

Flexões e abdominais modificados

Exercícios isométricos (especialmente para os músculos do pescoço)

Exercícios não recomendados:

Remo – tensão em demasia sobre a coluna lombar

Corrida sobre piso pavimentado, especialmente após os 40 anos de idade

Levantamento de pesos com a coluna em posição inadequada ou fora da posição neutra.

Abdominais integrais.

CINTO SUPORTE ABDOMINAL LOMBAR OU CINTO ABDOMINAL OU SIMPLESMENTE CINTO DE APOIO LOMBAR OU AINDA CINTO DORSAL- “BACK SUPPORT” A Tendência Mais Recente na Luta Contra as Lesões de Coluna na Indústria

O cinto de apoio lombar, as tiras de limitação de estiramento da coluna (por exemplo, o Cinto de Apoio Dorsal de Barnett) e os inclinômetros à bateria (por exemplo, o Inclinômetro ‘Back Alert’) são dispositivos cuja classificação mais adequada seria sob o título de ‘equipamentos de proteção individual-EPI’ projetados para modificar o comportamento do trabalhador.

O modo básico de atuação dos inclinômetro e das tiras de restrição é representado pelo aviso que estes dispositivos dão ao trabalhador quando este flexiona o torso na zona de perigo ou de 70 graus (zona crítica), na qual é mínimos o apoio muscular ao torso e a pressão entre discos atinge o seu valor máximo.

O mecanismo através do qual os cintos de apoio lombar devem trabalhar tem provocado muita controvérsia.  Nos últimos três anos, o Dr. Bunch participou de trabalhos de pesquisa clínica e de campo sobre os efeitos dos cintos de apoio dorsal na redução das lesões de coluna.

A bibliografia a seguir apresenta algumas informações científicas relativas aos cintos lombares:

 Morris et al “Role of the trunk in stability of the spine, J Bone Joint Surg 1961; 43:327-350” 

(O papel do tronco na estabilidade da coluna)

J Bone Joint Surg 1961; 43:327-350

Lander et al “The effectiveness of weight-belts during the squat exercise”

(A eficácia dos cintos para levantamento de pesos durante o exercício de agachamento),

Medicine and Science in Sports and Exercise 1990; 22:117-124

Harman et al “Effects of a Belt on intra-abdominal pressure during weightlifting, Med. Sci, Sports and Exercise 1989: 22:117-224”

(Os efeitos do cinto sobre pressão intra-abdominal durante o levantamento de pesos), Med. Sci. Sports Exercise 1989; 21:186-190.

As informações dos estudos acima sugerem que o cinto para levantamento de pesos contribui para o suporte do tronco ao aumentar a pressão intra-abdominal. O efeito é considerado benéfico na redução das forças de compressão atuando sobre os discos intervertebrais e melhorando a segurança a ação de levantamento.

Terry Morris, Ph.D. – Advanced Ergonomics, Inc. Estudo revisivo intitulado: “Effects of lifting belts on lifting capacity and overexertion injuries”

(Os efeitos de cintos de levantamento de peso sobre a capacidade de levantamento e as lesões causadas por excesso de esforço)

Dr. Morris apresenta uma revisão dos estudos relacionados com cintos dorsais e indica, que os estudos a longo prazo da utilidade dos cintos dorsais estão incompletos. Os benefícios a curto prazo do uso dos cintos são tão evidentes quanto virtualmente qualquer outro novo “estímulo” que possa aparecer no ambiente de trabalho. Com base em uma revisão de vários estudos, o autor relata uma redução média de cerca de 20% e nas lesões relacionada com o emprego dos cintos dorsais. Os cintos parecem realmente capazes de fornecer apoio para as costas e aumentar a pressão abdominal.  Não há redução da atividade de EMG na coluna lombar durante o uso dos cintos dorsais. Esse fato parece indicar que os cintos de apoio dorsal, pelo menos os cintos elásticos, e aparentemente não provocam atrofia muscular.  Além disso, as análises biomecânicas não indicam uma redução nas forças de compressão sobre os discos na coluna lombar em conseqüência do emprego de cintos para levantamento de peso.

Holmstron e Morris “Effects of lumbar belts on trunk muscle strength and endurance (Os efeitos dos cintos lombares sobre a força muscular e a resistência dos músculos do tronco): Um estudo de acompanhamento dos trabalhadores da construção, Journal of Spinal Disorders, 1992; 5:260-266”.

O estudo acima analisou os efeitos de um cinto de apoio lombar flexível com retenção a calor, ou cinto de levantamento de pesos, sobre a força muscular. O estudo não registrou nenhuma redução significativa na força e na resistência dos músculos do torso. Na verdade, houve um aumento na força e na resistência de flexão do torso. Esse aumento foi atribuído aos trabalhadores que mantinham sua coluna em uma posição mais reta e usavam mais as pernas.

Hunter et al “The effects of a weight training belt on blood pressure during exercise” (Os efeitos do cinto para levantamento de peso sobre a pressão arterial durante o esforço), J. Appl. Sport Sci. Research, 1989, 3(1): 13-18

Hunter et al relatam que os cintos aumentam a pressão sangüínea durante o esforço. Os trabalhadores com sistemas cardiovasculares comprometidos os usam com a devida cautela.

McGill et al “Lifting with an abdominal belt: Effects on trunk muscle and intra-abdominal pressure” (Levantamento de peso com cinto abdominal: Efeitos sobre os músculos do torso e pressão intra-abdominal), Minutas da Conferência Anual da Associação de Fatores Humanos do Canadá 1990; 193-197.

 McGill et al “The effect of the abdominal belt on trunk muscle activity and intra-abdominal pressure during squat lifts” (O efeito do cinto abdominal sobre a atividade muscular do tronco e a pressão intra-abdominal durante o levantamento de peso na posição agachada), Ergonomics 1990; 33:147-160

 Seguin e McGill “The effect of abdominal belts on passive stifness of the trunk about three axes” (O efeito dos cintos abdominais sobre a rigidez passiva do tronco em relação a três eixos), Associação de Fatores Humanos do Canadá – 25a. Conferência Anual, Hamilton, Ontário 1992: 67-72.

McGill sugere que existe um exagero a respeito das declarações que os cintos dorsais aumentam a pressão intra-abdominal (IAP) durante o esforço e que a justificativa para o uso dos cintos com base na IAP não está validada. O uso de cintos dorsais aumenta a pressão sangüínea durante o esforço. Os dados também indicam que os cintos parecem conferir maior rigidez ao tronco em relação ao movimento de torção axial e de dobramentos laterais, o que pode comprovar o relato dos trabalhadores sobre um aumento na estabilidade do torso.  McGill adverte sobre uma “falsa sensação de segurança” a qual, segundo ele, freqüentemente é acompanhada do uso do cinto.  Além disso, ele declara que a recomendação universal do uso dos cintos para o trabalhador industrial não estaria justificada com base nas informações atuais da literatura científica.

Woodhouse et al “Isokinetic trunk rotation parameters of athletes utilizing lumbar/sacral supports” (Parâmetros de rotação isocinética do tronco em atletas que utilizam suportes lombares/sacrais), Athletic Training, 1990; 3:240-243

 O estudo acima sugere que os cintos ajudam a suportar as vísceras e aumentam a pressão intra-abdominal enquanto reduzem as forças de rotação.

 Walsh et al “The influence of prophylactic orthoses on abdominal strength and low back injury in the workplace” (A influência das ortoses profiláticas[1] sobre a Resistencia abdominal e as lesões da coluna lombar no local de trabalho), American Journal of Physical Med. Rehab. 1990; 69-245-250.

Este estudo constatou que o emprego intermitente de suporte profilático, não provocou efeito contrário algum sobre a resistência abdominal. O estudo também constatou que, o uso de suportes profiláticos e de treinamento revelou-se superior à intervenção educacional preventiva isoladamente. O estudo conclui que os cintos podem contribuir para uma redução nos prazos de afastamento do trabalho em decorrência de lesões profissionais.

Informes de Indústrias:

 Home Depot

A Home Depot, uma cadeia norte americana de lojas de material de construções, tornou obrigatório o uso de cintos de apoio dorsal junto a seus funcionários, como parte de um programa detalhado de prevenção contra lesões de coluna que incluiu conhecimentos sobre ergonomia, treinamento e educação preventiva. Este estabelecimento pode constatar uma redução significativa nas lesões de coluna e suas despesas conseqüentes desde que o programa foi iniciado.

Payless Cashways

A empresa Payless Cashways forneceu 563 cintos de apoio dorsal aos funcionários de suas 22 lojas. Durante um período de 5,5 meses constatou-se uma redução de 87% em lesões de coluna.

Resultados dos Estudos Conduzidos pelo Dr. Bunch:

Os dados a seguir devem ser considerados como informações preliminares cuja análise estatística ainda não se concluiu.

Foi realizada uma análise em mais de 450 funcionários da McDermott International de Morgan City, Los Angeles.   As lesões de coluna foram reduzidas em mais de 89% em um período de três anos, a partir do início de um programa de educação/treinamento e fornecimento de cintos de apoio dorsal. Os funcionários responderam questionários sobre o uso dos cintos de apoio dorsal. As respostas aos questionários, por funcionários que usaram os cintos por um período de um a dois anos, ainda se encontram em fase de análise.   

Análise preliminar das capacidades de vigor de levantamento percebida:

 A análise de vigor de levantamento (n=86) antes da execução do mesmo com cintos de apoio dorsal e após o período de um ano de emprego desses cintos, não demonstrou nenhum aumento no vigor de levantamento, segundo teste no “Lido Lift.” O vigor funcional das abdominais, determinado pela quantidade de abdominais que o indivíduo era capaz de executar dentro do período de um minuto experimentou um aumento geral de 12,3%. Apenas 8 dos 86 indivíduos apresentaram um menor número de abdominais após o período de um ano, porém constatou-se que a diferença não era estatisticamente significativa (P = 0,05). O teste psicofísico de 45 indivíduos nas idades de 35 – 45 com os cintos dorsais e sem eles não foram capazes de demonstrar uma diferença estatística significativa na capacidade de levantamento percebida.  A análise do levantamento repetitivo no “Lido Lift” revelou curvas de torque mais suaves, porém mais constantes (menos o coeficiente de variação) entre os indivíduos que utilizavam os cintos de apoio dorsal.

Conformidade:

 Inspeções aleatórias de campo revelaram um elevado nível de funcionários que não utilizavam os cintos de apoio dorsal corretamente. A falha mais comum relacionava-se com o aperto adequado dos cintos, isto é, os funcionários permitiam que o cinto permanecesse frouxo no abdômen. Os questionários de campo revelaram que a reclamação principal sobre o cinto era o fato de o mesmo ser considerado muito quente nos meses de verão.  Houve casos em que funcionários indicaram que os cintos de apoio dorsal haviam reduzido significativamente a dor em suas regiões lombares ao final do dia de trabalho. Entretanto, muitos declararam não ter experimentado absolutamente nenhuma alteração na freqüência das dores nas costas, sentidas durante o período de um ano de uso de cinto.

 Conclusões sobre os Cintos de Apoio Dorsal ou Cintos Lombares

 Com base em estudos anteriores, mais de três anos de observação de trabalhadores que utilizavam o cinto e nos resultados preliminares dos estudos atualmente em andamento, são as seguintes as conclusões oferecidas:

  1. Os cintos de apoio dorsal não são necessários se o funcionário entende e aplica as técnicas de estabilização lombar durante o manuseio de materiais, mantém uma postura adequada no trabalho e preserva a sua boa condição física.
  2. Os cintos de apoio dorsal por si só não reduzirão significativamente a incidência de lesões de coluna, a menos que utilizados adequadamente. O seu uso apropriado requer educação preventiva, treinamento de todos os empregados que devam empregar o cinto e o reforço da exigência pela gerência de cúpula.
  3. Os cintos de apoio dorsal, devem ser usados como parte de um plano geral de segurança e prevenção contra lesões de coluna. Esse plano deve incluir a intervenção de natureza ergonômica, educação preventiva, treinamento, especialmente em relação ao conceito de estabilização lombar durante o manuseio de materiais e ginástica.
  4. Não está provado cientificamente que o uso de cintos de apoio dorsal pode:

  provocar atrofia muscular.

  aumentar o risco de problemas cardiovasculares.

  provocar um aumento da incidência de hérnia inguinal e/ou de hiato.

  provocar uma falsa sensação de segurança ou impressão de que o indivíduo é capaz de levantar mais peso usando o cinto.

  provocar dependência de uso.

  1. Está provado cientificamente que o uso de cintos de apoio dorsal:

  podem atuar como lembretes psicofísicos do levantamento adequado e da posição correta das costas durante o esforço.

  os cintos de apoio dorsal, quando apertados e usados adequadamente, atuarão como um ligamento externo, impondo resistência contra a flexão excessiva da espinha além do ponto crítico de 70 graus.

  os suportes de apoio dorsal, podem ser usados de modo tal que lembrem ao trabalhador que este deve empregar as técnicas de estabilização durante a manipulação de materiais.

  O aumento da IAP e a estabilidade do torso permite que o trabalhador realize o esforço de levantamento com menor tensão sobre os discos e as juntas de faceta.

  o emprego de cintos dorsais aliado à educação preventiva/treinamento teve como resultado, pelo menos a prazo relativamente curto (5 meses – 3 anos), em reduções significativas da quantidade de lesões de coluna e das despesas médicas entre as indústrias que utilizam mão de obra intensivamente até a presente data.

Comentários Finais

O cinto de apoio lombar pode representar uma despesa para as empresas com uma grande quantidade de funcionários. Os benefícios desses cintos em termos de sua possível contribuição positiva para a modificação do comportamento e para os efeitos fisiológicos sobre o corpo durante a ação de levantamento e outros tipos de esforços no manuseio de materiais devem ser analisado cuidadosamente. Não posso recomendar os cintos dorsais para qualquer indústria a menos que a mesma integre esses dispositivos em um plano geral de ergonomia e de treinamento, conforme foi analisado neste seminário. Por outro lado, com base em minha experiência, não acredito que a indústria esteja correndo graves riscos ao fornecer cintos dorsais a seus funcionários se estes receberem um treinamento adequado antes de seu uso. Praticamente não existe nenhum relato de   pesquisa ou de teste nas indústrias, da qual tenhamos conhecimento, que demonstre algum efeito negativo válido relacionado com o uso dos cintos dorsais elásticos.

Traduzido do Original em inglês pela Bras Golden Ergonomics.  Proibido sua divulgação sem autorização expressa da Bras Golden Ergonomics.

[1] N.T.: Ortose – curvatura ou desvio da coluna (cifose, escoliose e lordose)

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